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Semana Santa - Quinta-feira

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Quinta-feira

O que a Igreja celebra na Quinta-feira da Semana Santa?

A instituição da Eucaristia. Jesus a instituiu 'como memória da sua morte e da sua ressurreição, e ordenou aos seus apóstolos que a celebrassem até a sua volta, constituindo-os então sacerdotes do Novo Testamento' (Catecismo da Igreja Católica, 1337).

 

Na Quinta-feira Santa, além de instituir a Eucaris­tia, Jesus também instituiu o sacerdócio?

Sim. Jesus, o Sacerdote do qual deriva todo sacerdó­cio, presidiu a primeira "missa" e ordenou aos apóstolos que continuassem a fazer o que Ele fez (Lc 22,19-20). Na Quinta-feira Santa, pela manhã, o bispo reúne os sacer­dotes de sua diocese e com eles renova os compromis­sos assumidos com Jesus por meio da Igreja. Nesta mesma missa — que por motivos pastorais pode ser cele­brada em dia anterior da Semana Santa — são bentos os óleos do Crisma, dos Enfermos e do Batismo.

 

O que aconteceu antes da celebração da ceia pascal?

Jesus lavou os pés de seus discípulos (Jo 13,1-9), cau­sando-lhes surpresa e ensinando-os a fazer o mesmo que Ele fez (Jo 13,12-20).

 

Era costume no tempo de Jesus que as pessoas lavassem os pés frequentemente?

Sim, já que naquele tempo não se usavam meias e sapatos, e sim sandálias. As muitas regiões desérticas e o pó constante os obrigavam a lavar os pés seguidamente. Tanto que era costume que os visitantes fossem recebi­dos pelos seus anfitriões com jarras cheias de água, bacia e toalha (Lc 7,44).

 

A quem era confiado o serviço de lavar os pés dos hóspedes?

Aos escravos e demais serviçais. O dono da casa zelava para que o hóspede fosse tratado o melhor possí­vel. Não oferecer água para lavar as mãos e os pés era considerado falta de cortesia e, às vezes, até mesmo um sinal de desagrado e ofensa para com o visitante.

 

O que há de surpreendente no lava-pés antes da ceia pascal de que participaram Jesus e os discípulos?

O fato de ter sido Jesus a lavar os pés dos discípulos (Jo 13,4-5), e não o contrário. Jamais um Mestre fariaisso; daí a reação de Pedro (Jo 13,6-8), que foi pego de surpresa e, exaltado, não quis deixar-se lavar (Jo 13,8), no que foi demovido porJesus (Jo 13,8b-9).

 

Por que Jesus lavou os pés dos discípulos?

Por três motivos: 1. Para antecipar o que aconteceria no Calvário (Mt 27,32-56), onde Jesus se colocou inteira­mente a serviço do Pai e da humanidade, chegando ao máximo da entrega na morte de cruz (Mt 27,50), humi­lhante para os homens (1Cor 1,18-20), mas a prova mais alta do amor de Deus por nós (1Jo 4,10); 2. Para ensinar, pelo testemunho, que assim como Ele fizera de toda a sua vida um serviço contínuo (Mt 20,28), assim deveriam estar a serviço todos aqueles que o seguissem (Jo 13,14); 3. Para que os discípulos entendessem o que Ele faria em seguida, ao deixar o seu corpo e o seu sangue (Mt 26,26- 28) como alimento que sustenta a vida agora e para a eternidade (Jo 6,22-58).

 

Que lições aprendemos com Jesus que lava os pés de seus discípulos?

A maior das lições que aprendemos com Ele é a do serviço. Fazer-se servo do outro é estar a disposição dele, renunciando aos próprios interesses (Mt 16,24- 28). O serviço cristão é gratuito, livre, sem interesses, des­vinculado de qualquer recompensa (Mt 6,1) e total­mente voltado para o bem do próximo, seja ele quem for (Lc 10,25-37).

 

O que era a ceia pascal celebrada pelos hebreus?

Era a comemoração (Ex 12,1-50) pela saída do Egito, onde o povo tinha sido escravizado (Ex 1,1-22). Os judeus celebram a ceia pascal até hoje (Ex 12,14).

 

Como era celebrada a ceia pascal?

A ceia pascal hebraica era celebrada unindo duas festas antigas: A festa do cordeiro (Ex 12,3-11) e a festa do pão sem fermento (Ex 12,15-20). Celebradas antes do Êxodo, foram reunidas e unidas pelos hebreus com um novo significado: o da comemoração pela liberta­ção da escravidão. Enquanto o Templo não havia sido construído, as celebrações eram feitas nas casas, nas quais se comiam pães sem fermento, ervas amargas e um cordeiro. Durante a refeição, o chefe da família recordava como o povo fora escravo no Egito e, pelopoder de Deus, se libertara da opressão. Essa história, transmitida de geração em geração, é relembrada até os dias de hoje, inclusive na nossa Vigília Pascal. Além de fazer memória, os hebreus tomavam vinho e glorifi­cavam a Deus proclamando os Salmos 113, 114, 115, 116, 117 e 118 (Is 30,29). Depois da construção do Tem­plo, a Páscoa passou a ser celebrada em Jerusalém. Antes da festa, os hebreus se purificavam das impure­zas legais — aquelas prescritas na Lei, conforme escre­veu o apóstolo João: "Estava próxima a Páscoa dos jude­us, e muita gente de todo o país subia a Jerusalém antes da Páscoa para se purificar" (Jo 11,55). Não se sabe ao certo quantas pessoas iam a Jerusalém para a Páscoa no tempo de Jesus. Um historiador hebreu a serviço dos romanos, chamado Flávio Josefo, conta que o número de pessoas na cidade por ocasião da Páscoa chegava a três milhões. 

 

Os evangelistas contam, em detalhes, como foi a última ceia pascal da qual Jesus participou? 

Não, porque eles estavam interessados em transmi­tir o que aconteceu de diferente nela, por iniciativa de Jesus. Certamente a ceia transcorreu normalmente, inclu­sive com o canto dos Salmos 113 e 114 antes da refeição, e os salmos 115 a 118 depois dela (Mt 26,30). Nenhum dos evangelistas ao escrever tinha a intenção de fazer um registro para a história, mas de narrar o que era novida­de, até porque os judeus conheciam tão bem o ritual da Páscoa como nós hoje conhecemos o da missa.

 

O que aconteceu de novo na ceia por iniciativa de Jesus?

A novidade é assim narrada por Lucas: "(Jesus) tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, par­tiu-o e deu-lhes, dizendo: 'Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim'. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: 'Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que é derra­mado por vos" (Lc 22,19-20). Esse acréscimo de Jesus à ceia conferiu-lhe um novo significado. Agora é Jesus o Cordeiro (Jo 1,29; Ap 5,6) que se dá em alimento no seu corpo e no seu sangue. Os apóstolos têm dificuldade de entender o que Jesus está dizendo e fazendo, como já haviam tido antes (Jo 6,60-69); só entenderão mais tarde, após a morte e ressurreição de Jesus e com o auxílio do Espírito Santo (At 2,1-36).

 

Na ceia Jesus apresentou o pão e o vinho como sím­bolos de si mesmo? 

Não. O pão e o vinho são transformados por Jesus em seu corpo e sangue, respectivamente (Lc 22,19-20). Não são apenas símbolos, mas presença real. O pão con­serva a aparência de pão, mas em sua substância é o corpo de Jesus; avinho conserva a aparência de vinho, nas em sua substância é o sangue de Jesus. "Na última ceia, na noite em que foi entregue, nosso Salvador insti­tuiu o Sacrifício Eucarístico de seu Corpo e Sangue. Por ele, perpetua pelos séculos, até que volte, o sacrifício da cruz, confiando destarte à Igreja, sua dileta esposa, o memorial da sua morte e ressurreição: Sacramento do amor, sinal da unidade, vínculo da caridade, banquete pascal em que Cristo é recebido como alimento, o espí­rito é cumulado de graça e nos é dado o penhor da gló­ria futura" (Catecismo da Igreja Católica, 1323). A comungar o corpo e/ou o sangue de Jesus, comunga­mos o próprio Jesus, e não apenas um símbolo ou sinal dele.

 

A quem Jesus confiou a missão de fazer o mesmo que Ele fez na última ceia?

Aos sacerdotes. Por ordem dele (Lc 22,19-20), os apóstolos — de quem os bispos são sucessores, sendo que estes são auxiliados pelos presbíteros — receberam o poder e o serviço de transformar o pão e o vinho no corpo e no sangue de Jesus. É por isso que na quinta- feira, ou em outro dia designado pelo bispo, os sacerdo­tes — bispos e presbíteros— celebram juntos a Eucaristia, recordando a missão queJesus lhes confiou e renovando os compromissos sacerdotais assumidos no dia da orde­nação. Afirma o Catecismo da Igreja Católica: "O sacrifí­cio redentor de Cristo é único, realizado uma vez por todas. Não obstante, tornou-se presente no sacrifício eucarístico da Igreja. O mesmo acontece com o único sacerdócio de Cristo: tornou-se presente pelo sacerdó­cio ministerial, sem diminuir em nada a unicidade do sacerdócio de Cristo. Por isso, somente Cristo é o verda­deiro sacerdote; os outros são seus ministros" (CIC

1545).

 

Concluindo

  • "Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão, e depois de ter dado graças, partiu-o e disse: 'Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim'. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: 'Este cálice é a nova aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim'. Assim, todas as vezes que comeis deste pão e bebeis deste cálice, lembrais a morte do Senhor, até que Ele venha" (1Cor 11,23-26).
  • "A Eucaristia é o lugar privilegiado do encontrado discípulo com Jesus Cristo. Com este Sacramento, Jesus nos atrai para si e nos faz entrar em seu dinamismo em relação a Deus e ao próximo. Em cada Eucaristia, os cris­tãos celebram e assumem o mistério pascal, partici­pando nele. Portanto, os fiéis devem viver sua fé na cen­tralidade pascal de Cristo através da Eucaristia, de maneira que toda a sua vida seja cada vez mais vida eucarística" (Documento de Aparecida, 251).
  •  

Autor: Padre Cristovarn lubel

Fonte: Editora Pão e Vinho: www.paoevinho.com.br

Última atualização ( Seg, 09 de Maio de 2011 19:31 )  

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